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Capítulo 1
Um pensamento passa pela cabeça de Antônio
Manuel Alves da Silva enquanto ele consulta seu relógio de bolso, olhou em
volta mais uma vez e dirigiu-se rapidamente para a porta de saída.
Foi
na primavera de 1833, que Antônio chegou a Corte do Rio de Janeiro vindo de
Portugal, com sua família, a esposa Joana Cardoso da Silva e seu único filho de
10 anos Joaquim Cardoso da Silva. Tão logo saiu do saguão de desembarque do
cais do porto, Antônio logo foi perseguido por dezenas de negros escravos que
se ofereciam para transportar suas bagagens. Antônio, então foi obrigado a
recorrer a esses escravos carregadores. Como cada carregador só podia conduzir
uma mala à cabeça, a família viajante recém-chegada teve que acompanhar, a
passos lentos, uma longa “fila indiana” de sete negros conduzindo suas
bagagens.
Da
praça XV, passaram pela Rua da Alfândega, Rua da Quitanda e chegaram à Rua do
Ouvidor. Era pouco mais das duas da tarde. Muita gente, andando de um lado para
o outro, o movimento de sempre. A família sentia-se confusa e aturdida,
receberam daquela agitação os empurrões de costume. Os carregadores,
transpunha, rasgavam ou contornava a multidão com muita habilidade e tranqüilidade.
Uma quadra depois chegaram a um suntuoso sobrado. A edificação foi erguida como
residência da família do cafeicultor português Antônio Gonçalves Neto que iria
hospedar a família que chegara de viagem.
Do
Rio de Janeiro segue Antônio Manuel para a vila de Bananal. Naquela época,
Bananal já era o segundo maior produtor de café da província de São Paulo. As
terras férteis e o clima propício atraiam grandes investimentos. Encantado pela
região, Antônio Manuel adquire o espólio da fazenda Ouro Verde onde pretende
dar continuar com a, então, lucrativa cultura do café.