sábado, 23 de agosto de 2014

Leia um trecho de "TAMBIRA a lenda"

Capa do livro
Capítulo 1

     Um pensamento passa pela cabeça de Antônio Manuel Alves da Silva enquanto ele consulta seu relógio de bolso, olhou em volta mais uma vez e dirigiu-se rapidamente para a porta de saída.
     Foi na primavera de 1833, que Antônio chegou a Corte do Rio de Janeiro vindo de Portugal, com sua família, a esposa Joana Cardoso da Silva e seu único filho de 10 anos Joaquim Cardoso da Silva. Tão logo saiu do saguão de desembarque do cais do porto, Antônio logo foi perseguido por dezenas de negros escravos que se ofereciam para transportar suas bagagens. Antônio, então foi obrigado a recorrer a esses escravos carregadores. Como cada carregador só podia conduzir uma mala à cabeça, a família viajante recém-chegada teve que acompanhar, a passos lentos, uma longa “fila indiana” de sete negros conduzindo suas bagagens.
     Da praça XV, passaram pela Rua da Alfândega, Rua da Quitanda e chegaram à Rua do Ouvidor. Era pouco mais das duas da tarde. Muita gente, andando de um lado para o outro, o movimento de sempre. A família sentia-se confusa e aturdida, receberam daquela agitação os empurrões de costume. Os carregadores, transpunha, rasgavam ou contornava a multidão com muita habilidade e tranqüilidade. Uma quadra depois chegaram a um suntuoso sobrado. A edificação foi erguida como residência da família do cafeicultor português Antônio Gonçalves Neto que iria hospedar a família que chegara de viagem.

     Do Rio de Janeiro segue Antônio Manuel para a vila de Bananal. Naquela época, Bananal já era o segundo maior produtor de café da província de São Paulo. As terras férteis e o clima propício atraiam grandes investimentos. Encantado pela região, Antônio Manuel adquire o espólio da fazenda Ouro Verde onde pretende dar continuar com a, então, lucrativa cultura do café.

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